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Linhas de pesquisa, artigos e notícias sobre Psicanálise.

A CONTRIBUIÇÃO DA ESCUTA PSICANALISTA ENTRE ALUNOS E PROFESSORES: O ACOLHIMENTO EM FACE DA PANDEMIA

A CONTRIBUIÇÃO DA ESCUTA PSICANALISTA ENTRE ALUNOS E PROFESSORES: O ACOLHIMENTO EM FACE DA PANDEMIA COVID 19

Antônio Carlos Rocha Botelho[1]

 

Pós-Doutor em Educação com ênfase em Psicologia Cognitiva

Academia Paulista de Psicanálise-ACADPSI/SP

 

 

 

“As emoções não expressas nunca morrem.

Elas são enterradas vivas e saem de piores formas mais tarde”

                                               (Sigmund Freud)

 

 

1. INTRODUÇÃO

 

O profissional psicanalista precisa de formação profissional na área, na busca de estratégias para ajudar o paciente no enfrentamento e elaboração das experiências emocionais intensas vivenciadas. O psicanalista observa o paciente intervindo e zelando pela sua integridade mental, fazendo com que ele compreenda melhor seu estado, lide melhor com suas emoções visando o seu bem estar mental.

Cabe ao psicanalista, como profissional de saúde, observar e ouvir com paciência as palavras e silêncios de seu paciente. Seu preparo e sua escuta podem responder terapeuticamente às demandas singulares num período crítico da vida, as quais surgem em decorrência das vivências individuais mobilizadas pelo processo do adoecer da mente. (BRENNER, 1975)

Em se tratando da contribuição da escuta psicanalítica a contribuição do profissional em psicanálise é relevante uma vez que, conforme Freu d (1940) a história de vida do paciente e a história da Psicanálise se acham intimamente entrelaçadas, pois:

[...] o tempo da palavra como forma de acesso por parte do homem ao desconhecido em si mesmo e o tempo da escuta que ressalta a singularidade de sentidos da palavra enunciada. Ocupa-se, em suas produções teóricas e em seu trabalho clínico, de palavras que desvelam e velam; que produzem primeiro, descargas e depois associações. Palavras que evidenciam a existência de um outro-interno, mas que também proporcionam vias de contato com um outro-externo quando qualificado na sua escuta. Nesses tempos inauguram a singularidade de uma situação de comunicação entre paciente e analista. Um chega com palavras que demandam um desejo de ser compreendido em sua dor, o outro escuta as palavras por ver nestas as vias de acesso ao desconhecido que habita o paciente. A situação analítica é, por excelência, uma situação de comunicação: nela circulam demandas nem sempre lógicas ou de fácil deciframento, mas as quais, em seu cerne, comunicam o desejo e a necessidade de serem escutadas. (FREUD, 1940: p. 89)

 

O tema desse estudo volta-se então para a contribuição da escuta psicanalista considerando que, conforme Freud (1940), o corpo fala e ao espaço para a escuta dos pacientes pode-se construir um novo ramo do conhecimento e um novo método terapêutico.

Na questão da pandemia COVID 19, a escuta entre alunos e professores pressupõe um acolhimento singular que desenvolve e destaca-se como ponto fundamental no campo intersubjetivo. Dessa forma, o tema escolhido é a contribuição da escuta psicanalista entre alunos e professores: o acolhimento em face da pandemia COVID 19.

A pandemia do COVID-19 tem sido a maior emergência de saúde pública enfrentada pela comunidade internacional há décadas, com preocupações quanto à saúde física e ao sofrimento psicológico que possa ser vivenciado pela população e pelos profissionais da saúde envolvidos no cuidar, entre alunos e professores quando do acolhimento em face da pandemia COVID 19. (DUNKER, 2020)

A norteadora desse estudo centra-se em: qual a importância da escuta psicanalista entre alunos e professores quando do acolhimento em face da pandemia COVID 19?

O objetivo geral desse trabalho foi discorrer sobre a sistematização de conhecimentos sobre a saúde mental e importância da escuta psicanalista entre alunos e professores quando do acolhimento em face da pandemia COVID 19.

Por objetivos secundários pretendeu-se:

  • Verificar sistematização de conhecimentos sobre a saúde mental no contexto pandemia;
  • Evidenciar o impacto da COVID-19 na saúde mental de alunos e professores;
  • Evidenciar a importância da escuta psicanalista entre alunos e professores no contexto da pandemia COVID 19.
  • Conforme Ornell et al (2020) as implicações sobre a saúde mental tendem a ser negligenciadas ou subestimadas nas pandemias, pois os gestores e profissionais da saúde colocam em evidência e prioridade a saúde física das pessoas e o combate ao agente patogênico.

    Contudo, segundo Brooks et al (2020):

    [...] as medidas adotadas para reduzir as implicações psicológicas da pandemia não podem ser desprezadas neste momento. Se isso ocorre, geram-se lacunas importantes no enfrentamento dos desdobramentos negativos associados à doença, o que não é desejável, sobretudo porque as implicações psicológicas podem ser mais duradouras e prevalentes que o próprio acometimento pela COVID-19, com ressonância em diferentes setores da sociedade. (BROOKS et al, 2020: p. 912)

     

    Nesse sentido essa pesquisa se justifica ao se observar que a Psicanálise, mediante a escuta, pode oferecer contribuições importantes para o enfrentamento das repercussões da COVID-19. Essas contribuições podem envolver a realização de intervenções durante a vigência da pandemia para minimizar implicações negativas e promover a saúde mental, bem como em momentos posteriores, quando as pessoas precisarão se readaptar e lidar com as perdas e transformações sociais.

    O método de pesquisa utilizado nesse trabalho constituiu-se do levantamento bibliográfico, delimitando-se ao referencial teórico ao responder a pergunta norteadora proposta. Esse estudo caracterizou-se como sendo realizado através de uma pesquisa de revisão bibliográfica aplicada descritiva, de método qualitativo. A coleta de dados foi toda realizada nessa revisão bibliográfica onde a coleta desses dados foi realizada mediante o levantamento através de material acessível ao público. Quanto à natureza, a pesquisa foi descritiva e segundo Lakatos (2015) esse tipo de pesquisa é fundamentalmente motivado pela necessidade de resolver problemas concretos e imediatos..

    Quanto aos fins, usou-se uma pesquisa explicativa e descritiva. Para Vergara (2015), a pesquisa explicativa vai permitir falar sobre quais os fatores são determinantes para o sucesso dos objetivos.

     

    2. A PANDEMIA COVID 19 E AS RELAÇÕES HUMANAS

     

    A pandemia causada pelo Corona vírus colocou o mundo em isolamento social e obrigou a sociedade a repensar e reestruturar as relações sociais. (DUNKER, 2020) A quase ausência do contato físico entre as pessoas fez aumentar o uso da inteligência artificial, o que fortalece a ideia de que os impactos da Covid-19 modificarão a forma como as pessoas interagem com seu entorno.

    Nesse contexto a pandemia torna o diálogo e a tecnologia essenciais para a gestão da distância e quase ausência física impõe, trazendo questionamentos focados no como conservar a humanização dentro das relações humanas. Esse contexto traz a consciência da necessidade de cooperação e a solidariedade, pois o momento exige um pensamento de coletividade e interfere diretamente nos conflitos surgidos dentro das relações sociais e interpessoais, colocando-as em rota de colisão com valores sociais sedimentados até então. (ZIMMERMANN, 2020).

    A crise da Covid-19 provocou desequilíbrios em todos os seguimentos da sociedade afetando as relações humanas e a saúde mental de muita gente pelo medo, insegurança considerando que eventos históricos como a COVID 19 podem alterar positiva ou negativamente o curso do desenvolvimento humano no planeta, tanto do ponto de vista individual quanto populacional. (WANG, 2020) No momento histórico atual a população humana mundial enfrenta à grave ameaça à sobrevivência provocada pela pandemia que vem testando os recursos e limites mentais do ser humano, devido ao potencial contaminação em larga escala, sem descoberta de medidas farmacológicas efetivas para deter essa epidemia, provoca um contexto caótico e altamente estressor, que se reflete sobremaneira no sistema familiar e todos os segmentos da sociedade e em todas as faixas etárias.

    Conforme Ramirez et al (2020):

    [...] durante uma pandemia, o medo intensifica os níveis de estresse e ansiedade em pessoas saudáveis e aumenta os sintomas daquelas com transtornos mentais preexistentes. Pacientes diagnosticados com COVID-19 ou com suspeita de infecção podem experienciar emoções intensas e reações comportamentais, além, da culpa, medo, melancolia, raiva, solidão, ansiedade, insônia, etc. Estes estados podem evoluir para transtornos como ataques de pânico, Transtorno de Estresse Pós-Traumático, sintomas psicóticos, depressão e suicídio. Não poder dar apoio e estar com os familiares, independente da gravidade do seu estado de saúde, pode se tornar um gatilho para o surgimento dos sentimentos de culpa e tristeza. Como também, têm pessoas que não conseguem expressar seus sentimentos e ao não verbalizarem suas emoções, se encontram propícias para níveis elevados de estresse, surgindo sinais de TEPT, tornando-se um fator em potencial para o surgimento da depressão. (RAMIREZ et al, 2020)

     

     Nesse cenário estima-se que um terço ou metade da população mundial apresente algum tipo de transtorno mental, manifestando-se conforme a força do evento e o estado de vulnerabilidade social longo da pandemia de COVID-19. (PIMENTEL et al, 2020)

    Aquino et al (2020) afirma que o isolamento social imposto tem como principal objetivo restringir o contato entre as pessoas, buscando reduzir as chances de contaminação do vírus e, assim, a procura pelos serviços de saúde e o número de mortes e, pensando nas consequências desse isolamento um dos principais gatilhos para o surgimento do estresse é o sentimento de perda do direito de ir e vir, que ocasiona um estado de negação da gravidade da doença, e automaticamente a desconsideração da relevância do IS por meio de suas atitudes e comportamentos frente ao isolamento que de modo drástico, além da separação brusca do ambiente social ou familiar do indivíduo, se tornam catalisadores constantes para o surgimento de sintomas ansiedade depressão.

    Voltando esse cenário para ao ambiente educacional observa-se que alunos e professores em face da pandemia COVID 19 resultou no encerramento das aulas em escolas e em universidades, afetando mais de 90% dos estudantes do mundo (UNESCO - ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E CULTURA, 2020). Em concordância com a UNESCO, o parecer do Conselho Nacional de Educação do Ministério da Educação do Brasil, seguiu a mesma linha e reconheceu os problemas causados pela pandemia.

    Na pandemia, grande parte das escolas e das universidades está fazendo o possível para garantir as aulas e a continuidade do ano letivo mediante o uso das ferramentas digitais, embora haja obstáculos graves, especialmente para alunos e professores mais empobrecidos, localizados na periferia das grandes cidades ou na zona rural. Faltam computadores, aparelhos de telefonia móvel, software e internet de boa qualidade, recursos imprescindíveis para o sucesso de web aulas. (MAIA et al, 2020)

    Para Maia et al (2020):

    [...] não podemos esquecer que saúde física e saúde mental andam juntas. A duração prolongada do confinamento, a falta de contato pessoal com os colegas de classe, o medo de ser infectado e a falta de espaço em casa – torna o estudante menos ativo fisicamente do que se estivesse na escola –, e a falta de merenda para os alunos menos privilegiados são fatores de estresse que atingem a saúde mental de boa parte dos estudantes da Educação Básica e das suas famílias. Estimular a solidariedade, a resiliência e a continuidade das relações sociais entre educadores e alunos nesse período é fundamental, pois ajuda a minorar o impacto psicológico negativo da pandemia nos estudantes. Agora, importa prevenir e reduzir os níveis elevados de ansiedade, de depressão e de estresse que o confinamento provoca nos estudantes em quarentena. (MAIA et al, 2020: p. 21)

     

    Também Cifuentes et al (2020), Forum do Campo Lacaniano (2020) chamam a atenção para a saúde mental de alunos e professores na pandemia COVID 19 ao dizer que muitas escolas, públicas e privadas, estão exagerando nas expectativas do que alunos, professores e familiares conseguem fazer. Há diferenças substanciais entre as famílias em confinamento. A saúde mental e psicológica dos alunos e professores e a possibilidade de acessar o material online são questões a serem levados em consideração na Educação em tempos de pandemia, pois todos estão a conviver com ela.

     

    3. ESCUTA EM PSICANÁLISE

     

    De acordo com Nasio (2010) o processo terapêutico em Psicanálise tem uma cena com duas pessoas, na qual, enquanto uma fala, a outra escuta.

    Em Psicanálise a escuta é a atenção à singularidade do sujeito, assim com a posição subjetiva que o profissional se encontra em relação a isso, conceito que tem semelhanças, ao mesmo tempo em que se diferencia da atenção flutuante, descrita por Freud (1977).

    O universo da Psicanálise tem como cerne o ser humano e seus modos de estruturação psíquica marcada por dificuldade de ordem individual e social. Brenner (1975) diz que em Psicanálise existem diversas maneiras de compreender a realidade psíquica; diversas maneiras de fazê-la aparecer, de escutá-la, de analisá-la, de comunicá-la.

    Para Figueiredo (2013):

    [...] a escuta na psicanálise sempre foi essencial em sua investigação sobre o mundo psíquico e essa essencialidade poderia redefinir a Psicanálise como uma terapia pela escuta ao invés de terapia pela fala. Não há uma situação analisante sem uma escuta analítica e, com ela bem instalada, é possível produzir um eficaz processo de transformação que uma análise visa. Nesta teoria, a escuta seria a seria aquela que busca ouvir tudo o que “não foi dito”, que foi ignorado pelo emissor. Assim colocar-se à escuta supõe, portanto, um princípio de ignorância mútuo – de quem fala e de quem escuta para que o que ainda não se sabe possa advir. (FIGUEIREDO, 2013: p. 54)

     

    A noção de escuta encontra-se atrelada ao conceito de inconsciente, na medida em que a associação livre é uma possibilidade para a investigação das próprias formações inconscientes. (BRENNER, 1975) A escuta não é uma função passiva, pois coloca faz o sujeito, falar, deparar-se com seu não saber, com suas dúvidas acerca de si e do mundo. A escuta é ativa quando vai de encontro à satisfação e ao prazer de descobertas de um novo saber; novo saber que nos posicione perante uma realidade da qual queremos participar e na qual queremos o direito de ter voz ativa. (FIGUEIREDO, 2013)

    A escuta precisa orientar-se para a singularidade do sujeito, possibilitando que ele se expresse, fale e implique seu desejo Porém, a forma de se colocar à escuta nem sempre foi à mesma. (BRENNER, 1975) Foi ao final do século XIX que Freud se deparou com as questões iniciais do que o levaram, posteriormente, a construir a teoria e prática psicanalítica.

    Na prática educacional a escuta nunca esteve tão presente em termos de pandemia, uma vez que a Psicanálise ao promover a escuta entre alunos e professores enfatiza a necessidade de resgatar a singularidade da pessoa por meio de sua fala e de sua palavra. (MRECH, 2014) Os alunos precisam que os professores lhes deem chances de expressarem- se por si próprios, para que possam falar e ser escutados, pois a posição de escuta é fundamental para resgatar as particularidades e as hipóteses de cada um.  

     

    4. ACOLHIMENTO PELA ESCUTA EM PSICANÁLISE: ALUNOS E PROFESSORES

     

    Na questão do escuta psicanalítica, o que se busca é a singularidade do sujeito e que não se prende ao assunto que está sendo dito, não é paciente; é provocativa, não é solidária. A escuta psicanalítica provoca o analisando a se colocar diante de suas próprias palavras; é uma escuta ativa, pois leva o analisando a examinar e se dar conta de sua própria singularidade e se implicar com ela, isto é, dar consequências, decidir o que fazer com isso. (FIGUEIREDO, 2013)

    É nesse contexto observado que o conceito de acolhimento acontece em Educação na relação aluno/professor ao compreender em receber e compreender o paciente de forma singular, neste contexto o desafio do profissional que acolhe é entender a necessidade do paciente e direcioná-lo para o tratamento que o beneficiará de forma também singular. A proposta do acolhimento psicanalítico na relação aluno/professor é de acordo com a necessidade apresentada pelo paciente durante o processo. (NEUMANN et al, 2011)

    Neumann et al (2011) apontam que o acolhimento proporciona uma melhora nessa relação e em termos educacionais, a questão do acolhimento mediante a escuta aponta para o fato de que a relação entre Psicanálise e Educação vem de longa data, desde que Freud demonstrou seu interesse pela Pedagogia na intenção de possibilitar uma melhor compreensão por parte dos educadores sobre o desenvolvimento da criança e do adolescente.

    Freud (1925) reconhece que as aplicações da Psicanálise na teoria e prática da educação infantil despertaram grande interesse, trazendo importantes colaboradores para sua teoria.  Nesse contexto educacional também Lacan (2003) que, segundo Mannoni (1973) observa na relação professor-aluno que a análise das práticas educativas de base psicanalítica ajuda a reflexão e permite ao professor que ele faça suas escolhas de atuação em sala de aula. Apesar de partir de um posicionamento teórico, a análise feita no grupo não impõe a aplicação de uma determinada teoria na prática do professor.

    O acolhimento em termos de escuta em Psicanálise na relação alunos e professores em tempos de COVID 19 mostra a importância da escuta na Psicanálise que ai se evidenciando na medida em que se percorrem os textos freudianos.

    No contexto da pandemia do COVID-19, os professores, que precisaram transformar sua prática pedagógica quase de um dia para o outro considerando que o ser humano é um ser social e de relação. (FORUM DO CAMPO LACANIANO, 2020) Essa nova perspectiva se implica em novos modos de atuação e produção, no fazer ético no campo da gestão escolar, ao possibilitar a superação de problemas e desafios do cotidiano.

    A COVID-19 antecipou em uns dez ou quinze anos o que iria acontecer em sala de aula e em tempos de escolas sem aulas presenciais, considera primordial o acesso à tecnologia e à conexão. Acessar a internet é a forma para encontrar o conhecimento com o professor. (DUNKER, 2020)

    Então a escuta psicanalítica torna-se o fator chave que liga aquilo que o sujeito é, em suas instâncias psíquicas, com a possibilidade de cura. (FORUM DO CAMPO LACANIANO, 2020) Evidencia-se por meio da escuta, mediante o acolhimento na relação alunos e professores em tempos de COVID 19, a possibilidade de decifrar o indecifrável, devido à forma de manifestação dos conteúdos inconscientes. Nesta direção, a compreensão do acolhimento em saúde mental envolve a reflexão dos aspectos que englobam o processo desta escuta diferenciada.

    É nesse sentido que se implica os novos modos de atuação e produção, no fazer ético no campo da gestão e das práticas em Educação, ao possibilitar a superação de problemas e desafios do cotidiano escolar, no acolhimento na relação alunos e professores em tempos de COVID 19.   

     

    5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

     

    Acolher em Psicanálise pode ser entendido como olhar o outro, prestar atenção a ele, escutá-lo, importar-se, entre tantos outros e assim, a escuta tem muitas consequências e é uma ferramenta imprescindível para a investigação da subjetividade. A Psicanálise parece constituir em nada esperar e o professor caminha nesta direção, quando acolhe em meio o caos de pandemia de proporções da COVID 19.

    O objetivo geral desse trabalho foi discorrer sobre a sistematização de conhecimentos sobre a saúde mental e importância da escuta psicanalista entre alunos e professores quando do acolhimento em face da pandemia COVID 19.

    De encontro ao objetivo proposto nesse estudo os resultados encontrados na revisão literária realizada apontam para a questão na relação professor-aluno, o acolhimento mediante a escuta traz a necessidade de, além dos conhecimentos necessários ao seu conteúdo e à tecnologia, a pandemia trouxe também a necessidade de se olhar para habilidades sócio emocionais e a saúde mental de alunos e professores

    Concluiu-se que a Psicanálise por ser uma teoria que privilegia a escuta da palavra e da relação do sujeito com o saber tem em comum com a Educação a preocupação da pessoa na sua singularidade, uma vez que provoca investimentos e emoções que permitem análises.

    Na relação aluno/professor a escuta em Psicanálise inspira um método de trabalho que exige que se faça um permanente retorno a si mesmo, na escuta na relação aluno/professor ao se compreender a prática pedagógica mesmo em tempos adverso como um cenário pandêmico.

     

    REFERÊNCIAS

     

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    BRENNER, Charles. Noções básicas de psicanálise. Rio de Janeiro: Imago. Editora, 1975.

    BROOKS, S. K., WEBSTER, R. K., SMITH, L. E., WOODLAND, L., WESSELY, S., GREENBERG, N., & RUBIN, G. J. The psychological impact of quarantine and how to reduce it: rapid review of the evidence. The Lancet, 395(10227), 912-920. 2020. Disponível em: http://dx.doi.org Acesso em: 10/11/2020.

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    DUNKER, CHRISTIAN. Saúde mental durante a pandemia. 2020. Disponível em: www.ip.usp.br Acesso em: 09/11/2020

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    [1] Coordenador do curso de Pós-Graduação em Psicanálise Clínica pela Academia Paulista de Psicanálise-ACADPSI. Pós-doutor e Doutor em Educação..Atualmente pesquisa e publica trabalhos em Livros, Revistas Científicas e periódicos recomendados pela CAPES e CNPQ. Possui experiência docente na graduação e Pós-Graduação e também na educação Básica. Atualmente escreve e publica trabalhos na área de Diretos Humanos, Educação, Psicanálise e Violência escolar e conflitos.. E-mail para correspondência: acrbotelho@hotmail.com.  

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